Amanda Ribas fala da próxima luta no UFC, das incertezas da carreira e da adolescência como Judoca

Amanda Ribas Ribas é um fenômeno do mundo das Lutas. Com um cartel de 10-2, a mineira de Varginha é uma das revelações do mundo do MMA. Mas, existe muito por trás desse talento que vemos UFC. Sabendo disso, o Esporte News Mundo foi entender como a Amanda campeão Brasileira de Judô, em 2011, se transformou na potência, que enfrenta a Virna Jandiroba dia 30 de outubro.

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Amanda falou bastante sobre sua luta que acontece dia 30 de outubro, contra Virna Jandiroba. A lutadora resolveu buscar suas origens nesse camp e está fazendo seu treino em Varginha, Minas Gerais.

— Esse Camp eu fiz na minha cidade, aqui em Varginha com as meninas de fora vindo, com as meninas da cidade também me amassando no treino para eu chegar no Octógono e dar meu melhor, Mostrar que eu vim da minha família — afirmou Amanda Ribas.

Amanda demonstrou confiança em suas habilidades para o confronto contra Virna. A brasileira acredita que possui condições de levar o confronto e se aproximar de uma disputa de cinturão em breve. 

— Com certeza! Eu acho que uma vitória contundente, uma vitória mostrando minhas técnicas e habilidades com certeza me coloca lá no topo novamente. É isso que eu estou buscando. Acho que na próxima luta vou conseguir mostrar isso e todos vão ver — observou Amanda.

Ribas também falou sobre o desafio de enfrentar Virna Jandiroba. Perguntada se a luta contra a compatriota é um dos grandes desafios de sua carreira, Amanda afirmou que sim, e disse que está confiante para o combate.

— A Virna é um dos grandes desafios da minha carreira, Sim! Cada luta tem um desafio, cada luta é uma luta e essa é que quero ganhar — completou.

Amanda também falou da sensação de conseguir três vitórias segundas no UFC

— Acho que foi uma doideira! Cada luta foi uma sensação diferente! A primeira luta foi uma sensação que eu podia estar ali. Podia sair do sul de Minas de uma cidade pequena, conquistar o mundo. Acho que a primeira luta mostrou isso, a segunda comprovou e terceira também. Acho que é fruto de muito trabalho! Não só trabalho de cinco anos que estou no MMA e da minha vida inteira que estou no meio da luta! Então, é muito gostoso — completou.

Confira outros momentos da entrevista de Amanda Ribas

Primeiro revés no UFC

Depois de três vitórias seguidas, Amanda sofreu sua primeira derrota no UFC. Mas o tropeço não desanimou a lutadora que afirmou ter tirado uma lição valiosa do confronto.

– O que eu mais aprendi com minha derrota contra a Marina, foi que a gente não pode parar! Se parar, entra o golpe perfeito e acaba a luta, Foi que aconteceu comigo, eu estava ganhando a luta, parei! Ela achou a distancia, entrou o golpe perfeito e acabou. E o MMA é muito lindo  por causa disso e cheio de emoção! Eu aprendi foi isso, tem que estar a todo momento querendo ganhar! Movimentando estratégia na ponta da luva, que da certo. Foi minha melhor lição

 Saída do Brasil e susto no Doping

Depois de ótimas atuações, Amanda despertou interesse da Gigante America Top Team, maior academia do mundo. A lutadora revelou os bastidores da escolha da academia e como seu pai foi importante nessa fase da carreira.

– Quando fui para América Top Team, foi muito doida a história! Eu tinha uma proposta de lutar na China ou a proposta de treinar na America Top Team. Porque na China ele não iam pagar nada, só a bolsa. E o Minotauro já tinha falado com meu pai, porque eu tinha que ter uma experiência profissional para saber como é que eu estava e a America Top Team foi considerada a melhor academia do mundo e o Minotauro disse que tinha os contatos para eu poder treinar. Meu pai, seu Ribas decidiu jogando na moeda e disse: Se cair de um lado você vai para China se cair o outro você vai para America Top Team e acabou que eu fui treinar na America Top Team. Pedimos dinheiro e ajuda dos patrocinadores, fui para lá e fui treinar na America Top Team.

– Primeira semana, eles nem deixaram eu pisar no tatame direito! (Risos) Porque, quem é a Amanda Ribas perto dos campeões Mundiais que estavam lá? E eu sempre lá sentada assistindo todos os treinos, até que um dia uma menina não pode treinar e precisou de outra para treinar com uma campeã que estava lá. Eu já estava pronta,  treinei super bem e foi ali que comecei ser vista na academia.

Amanda tinha acabado de assinar com UFC e tinha realizado seu sonho e do pai, seu Ribas. Porém, na véspera da luta, Amanda caiu no doping, e passou por uma reavaliação da carreira onde aprendeu tudo sobre UFC.

– O período do Doping foi uma sensação muito doida, porque eu estava fazendo tudo certo! O peso estava bom, minha dieta estava correta, os treinos estavam fluindo bem. Então, na minha cabeça estava fazendo tudo certinho e ia acontecer tudo certo na luta. Um tempinho antes da luta saiu a notícia que tinha caído no Doping, foi uma doideira. Eu não sabia como a substancia tinha entrado no meu corpo, se foi uma garrafinha de água, se tinha sido uma comida.

– Foi bem triste para mim, porque aqui na minha cidade várias pessoas ficaram falando que só assim para subir na vida. Falaram que eu era drogada! Não é obrigação de ninguém saber o que é o Doping. Então, o pessoal achava que era droga, que eu estava usando droga! Isso foi bem triste para mim, porque eu sempre prego para as pessoas fazerem o certo. Fui julgada e me deram dois anos de suspenção.

– Nesses dois anos, não vou falar que foi fácil não! Tive muito suporte da minha família e dos meus patrocinadores que acreditaram em mim e nesse tempo eu tentei aprender tudo que podia do UFC. Em todos os eventos que eu podia eu ia, para saber cada detalhezinho que fez total diferença para minha estreia. Porque se eu não tivesse aprendido os bastidores do UFC, eu não teria tanta experiência quando eu fui lutar. Desde saber escolher a melhor cabeleira para fazer o cabelo ao melhor Cutman. Então , eu podia escolher! Tem muita gente que não sabe disso. Fez total diferença, eu tenho certeza que Deus achou que não era o momento de estreiar quando eu assinei.

Vale lembrar, que a USADA inocentou vários lutadores por contaminação de suplementos e Amanda estava no mesmo grupo dos lutadores. A brasileira não foi contemplada com o benefício já que estava no final da suspenção.

Amanda Ribas Campeã Brasileira de Judô

Oriunda do Judô, Amanda acumulou muitas experiências dos anos que teve como judoca na adolescência. Segundo a campeã nacional de 2011, as lições desse período serviram para o MMA e para vida.

– Foi muito legal minha experiência com o Judô, porque eu fui para Belo Horizonte muito nova e eu comecei a treinar aqui em Varginha  conseguido vários títulos e lá em belo Horizonte fui campeã mineira , brasileira , participei de seletiva olímpica, seletiva de circuito europeu me ajudou a crescer muito dentro do esporte. Tecnicamente e como pessoa também

Amanda falou do momento mais turbulento da vida profissional. A atleta se lesionou de forma recorrente às vésperas das Olimpíadas de 2012. A atleta falou dos momentos delicados da não ida as seletivas olimpicas. consequentemente, a desistência da carreira como Judoca.

-A lesão feita foi um baque para mim. Fiquei muito chateada, porque todas as vezes que ia viajar para seleção eu me machucava. Ai chegou em um ponto que falei para minha família que não queria mais.  Parecia que treinava e machucava, voltei para Varginha e falei que só queria estudar e olha que minha vida inteira foi dentro da academia! Cheguei em casa, não queria nem ficar perto da academia. Fiquei muito chateada! Só que meus amigos, estavam treinando para competir MMA amador na academia, Ai eles disseram: ¨A Amanda porque você não vai?¨

-Meu pai falou para eu ir, para conseguir bolsa em faculdade. Fui para seletiva do MMA amador, treinando muito pouco e classifiquei! Ai comecei a treinar mais forte e senti aquele gostinho , aquela sensação de atleta. Acho que uma vez atleta, e sentir aquela adrenalina não tem como ficar sem. Fui pro mundial amador em Las Vegas, ganhei e depois dali me profissionalizei. e eu senti de novo aquele gosto que eu queria para minha vida.