Ceni elogia jogadores, exalta entrega e desmente especulações: ‘Não temos condições’

Após avitória por 1 a 0 sobre o Internacional, o autor do gol Gabriel Sara e o treinador Rogério Ceni concederam entrevista coletiva. Enquanto o meia foi sucinto e falou principalmente sobre suas atuações e projeções para a temporada, Ceni foi mais amplo e respondeu perguntas sobre a escalação, conversa com Benítez e até mesmo sobre as recentes especulações sobre ter pedido Willian Arão e Diego do Flamengo, além de Felipe Alves do Fortaleza.

Mais do que o desempenho, Ceni destacou a intensidade dos jogadores em campo. O time teve mais que o dobro de finalizações que o Colorado e também liderou em escanteios, cruzamentos, passes e desarmes. Para o treinador, “A parte de gols a gente tenta treinar, corrigir, melhorar e evoluir através dos jogos, mas a entrega é o que deixa a mim e ao torcedor mais animado”.

Quanto a possibilidade de ter os meias Arão e Diego e o goleiro Felipe Alves, o treinador não poupou elogios aos atletas com quem trabalhou junto em passagens por Flamengo e Fortaleza, mas deixou claro que não iniciou conversas sobre contratações para a próxima temporada e que a aquisição de jogadores desse patamar não estão nos planos.

– Três ótimos profissionais com que eu trabalhei e tenho no mais alto conceito e fariam vem a qualquer equipe no Brasil, mas em momento algum foi solicitado à direção porque sei a situação que o São Paulo atravessa. – afirmou o treinador. – Vamos atrás de jogadores mais jovens, há também saídas já confirmadas, e a gente precisa se reforçar para o ano que vem, mas dentro das realidades financeiras do clube. – finalizando.

Com a vitória, o São Paulo agora chega a 37 pontos e vai à 11ª colocação, se afastando da zona de rebaixamento e se aproximando da parte de cima da tabela, podendo almejar uma vaga na próxima Libertadores. Tanto Sara quanto Ceni reconhecem a dificuldade, mas entendem a importância da classificação:

Ceni: “Acho que é uma vitória que ainda nos dá chance de sonhar de poder botar o São Paulo em uma Pré-Libertadores, que se tornou o objetivo do clube diante das condições e do que aconteceu nessa temporada.”

Sara: “Nosso objetivo sempre foi esse (chegar à Libertadores). Tivemos alguns tropeços no caminho, mas a gente vem se acertando a cada dia e o nosso objetivo sempre vai ser a Libertadores. Um clube como o São Paulo não pode ficar de fora”.

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CONFIRA TODAS AS RESPOSTAS DE SARA E ROGÉRIO CENI NA COLETIVA

Sara, sobre seu estilo de jogo: Eu sempre fui um meia que pisou bastante na área, sempre tentei ser um elemento surpresa. Hoje um pouco mais do que o normal, porque o Rogério me deu bastante liberdade para isso, e me agrada muito estar pisando na área e fazer alguns gols.

Sara, sobre objetivos na temporada: Sim, nosso objetivo sempre foi esse (chegar à Libertadores). Tivemos alguns tropeços no caminho, mas a gente vem se acertando a cada dia e o nosso objetivo sempre vai ser a Libertadores. Um clube como o São Paulo não pode ficar de fora.

Sara, sobre sua função com Ceni: Ele me deixa com muita liberdade. Ele conhece muito bem a minha intensidade e quer que eu explore mais isso, então ele me deixa livre para atacar os espaços, para chegar de trás, e isso tem me dado bastante confiança para chegar melhor, finalizar mais e criar minhas jogadas.

Sara, sobre relação com jogadores da base: O Rogério quando chegou puxou bem pro lado coletivo e chamou todo mundo para perto dele, demonstrou confiança com todo grupo. Acredito que a gente vem crescendo um pouco mais, já jogamos juntos algumas vezes. Infelizmente a gente não vinha bem, mas acredito que com nosso crescimento, com nossa intensidade do meio de campo, a gente pode ajudar muito o Tricolor.

Sara, sobre entrosamento com Reinaldo: A gente analisou bem os pontos fortes e os pontos fracos do Inter, estudamos bem aquela jogada, e eu e o Rei (Reinaldo) temos um bom entrosamento desde o ano passado, então acredito que aquilo ali o Rogério passou para gente, àquele ponto, o Rei nem precisou olhar direito e graças a Deus eu conclui muito bem.

Ceni, sobre agressividade do time: Sem dúvida, a agressividade é uma característica que a gente quer deixar marcada nesse time. Criar é o principal objetivo, e logicamente que concluir a gol seria melhor para ter um jogo mais tranquilo durante o segundo tempo. No primeiro tempo acho que perdemos boas oportunidades. Na metade do segundo tempo para frente também, muitas bolas cruzadas passando de frente ao gol. Mas o importante é que todos deixaram tudo que tinham dentro do campo, a alma impregnada do jogo, acho que isso é o principal fator. A parte de gols a gente tenta treinar, corrigir, melhorar e evoluir através dos jogos, mas a entrega é o que deixa a mim e ao torcedor mais animado.

Ceni, sobre conversa com Benítez no fim do jogo: O Benítez entrou em uma função mais a frente hoje. Jogamos em um sistema diferente, com três zagueiros, então quando ele entrou, entrou para fazer a função do Rigoni. Mas quando o Inter abaixa a linha de três zagueiros e faz a saída de três, eu trago o Inter para frente para marcar o zagueiro mais centralizado e ele faz a função junto com o Marquinhos de marcar os outros dois zagueiros para espelhar e ficar um jogo mano a mano, já que os nossos três zagueiros, principalmente o Léo que fez uma grande partida, estavam bem e seguros no jogo. Só que em determinado momento, o zagueiro pela direita começou a abrir demais e ficou muito fora do jogo, já que ele tem que proteger o bloco dentro para fazer com que o jogo vá para o zagueiro e não inibir que o jogo vá para o zagueiro, é para ele deixar com que o jogo vá para o lado e não permitir que o jogo vá pro meio, então aproveitei que ele estava ali só para falar isso com ele, mas durante a semana nós vamos tentar corrigir e melhorar quando ele está exercendo uma função que não é de camisa 10.

Ceni, sobre Igor Gomes e jogadores de Cotia: Primeiro que não só o Igor, mas ele Sara, repito mais uma vez o que já disse aqui. Temos ótimos jogadores como Neves querendo uma oportunidade, o que é bom, mas Liziero, Sara e Igor Gomes, acho que o torcedor e Cotia têm que ter orgulho de ter jogadores como esse. Não só pelo que eles são, mas pelo interesse que eles tem no dia-a-dia, pela boa vontade, estão sempre dispostos a aprender e escutando, se entregam. Acho que os dois, nas duas pontas de tripé , são motivos de orgulho para o São Paulo, porque são caras que deixam tudo dentro de campo até a última gota de suor. Todo time é assim, mas eles representam muito esse novo momento do São Paulo, meninos fora de série. Igor, Sara, todos excepcionais como pessoa e atleta que acho que vão crescendo e se tornando importantes. Uma pena que quando a gente vê um atleta surgir e jogar tão bem seja sinônimo de que futuramente você pode perder esses jogadores. Seriam dois jogadores que eu não gostaria de perder no ano que vem, Igor e Sara.

Ceni, sobre desempenho coletivo e boatos sobre reforços (Arão, Diego e Felipe Alves): Nós perdemos muitos gols, criamos muito e poderíamos ter saído do primeiro tempo com o jogo praticamente definido, mas gostei do todo como uma forma geral e acho que o time teve muita alma hoje. O torcedor também tem feito a diferença cada vez mais presente no Morumbi, mesmo em uma tarde de chuva e frio, mas a voz da arquibancada ecoa pelo coração e pela alma de cada atleta e faz com que ele se transforma dentro do campo. Quanto a Arão, Diego e Felipe Alves, três ótimos profissionais com que eu trabalhei e tenho no mais alto conceito e fariam vem a qualquer equipe no Brasil, mas em momento algum foi solicitado à direção porque sei a situação que o São Paulo atravessa. Talvez o torcedor não saiba o momento de dificuldade, a verdade ao todo, o tamanho da situação que o São Paulo se encontra. Nós vamos ao mercado ano que vem provavelmente, não começamos a conversar sobre isso sobre nenhum jogador, mas não temos condições de trazer jogadores desse nível. Principalmente jogadores que estão bem, no Flamengo, sendo um deles jogando todos os jogos no Flamengo, o Diego também muito importante. Jogadores que tenho maior admiração e tive o maior prazer de trabalhar, com os três, mas momentaneamente, não temos condições de ter jogadores nesse patamar. Vamos atrás de jogadores mais jovens, há também saídas já confirmadas, e a gente precisa se reforçar para o ano que vem, mas dentro das realidades financeiras do clube. Temos que diminuir a folha salarial e fazer com que o São Paulo volte a ter vida própria para o futuro.

Ceni, sobre escalação: Primeiro que o Léo vem treinando muito bem e me corta o coração deixá-lo fora, segundo que eu não tenho Calleri na frente, e obviamente tenho que jogar com Rigoni, e o Rigoni não tem bola aérea, o Internacional é uma equipe forte na bola aérea apesar da ausência do Rodrigo Dourado que é um bom cabeceador, mas tem nos seus dois volantes, nos seus dois zagueiros, tinha no Yuri Alberto que eu achei que iria jogar, tinha o Moisés que eu não sabia que não iria jogar acima de um 1,80m. Então tinha que elevar a altura do time, nós já sofremos o gol contra o Bragantino na bola parda, com a ausência do Calleri eu precisava de um jogador na bola aérea, e o Léo era a melhor opção que nós tínhamos para essa bola aérea, para manter força defensiva e até ofensiva tentando fazer gols, então pela altura e porque o Léo merecia oportunidade porque já vinha jogando bem, jogou comigo muito bem, e eu queria botar ele para jogar e pela altura, calhou que a gente precisava jogar com ele e acho que fizemos bem. E é natural que seja uma surpresa porque não tinha jogado dessa maneira, mas eles têm uma memória de quando jogado com três zagueiros, então arriscamos bastante jogando no mano a mano, mas são três bons zagueiros e dá para poder arriscar.

Ceni, sobre volta ao Morumbi: São Paulo e Morumbi, mesmo que não seja quarta-feira, mas era um domingo à noite. Sempre falo que as quartas-feiras à noite de Libertadores no Morumbi são sempre especiais. Acho que é uma vitória que ainda nos dá chance de sonhar de poder botar o São Paulo em uma Pré-Libertadores que se tornou o objetivo do clube diante das condições e do que aconteceu nessa temporada. Sabemos que é difícil chegar nessa posição, temos confrontos complicados pela frente, mas estar no Morumbi para mim é sempre especial. A minha vida como garoto foi aqui, a minha vida como atleta foi aqui, poder estar novamente ao lado de jogadores que tem comprometimento como esses caras estão tendo para mim é sempre um prazer muito grande.