Em entrevista exclusiva, Leonardo Manulli afirma: “eles não queriam jogar mais com o hFN”

Um dos nomes mais conhecidos nos bastidores do Dota 2 brasileiro e sul-americano, Leonardo Manulli vive o jogo de forma intensa a dedicada a mais ou menos 4 anos, desde que virou manager da equipe brasileira No Ping.

Depois de montar uma das line-ups mais forte do servidor Sul-Americano, ficar próximo de ir para o The International e montar o time da SG e-sports que chegou ao TI. Leonardo Manulli contou para gente todos os detalhes do seu trabalho como manager, a formação da equipe que venceu o último DPC Sul-Americano, a dissolução da equipe os planos para o futuro.

Foto: Facebook da No Ping

Confira a primeira parte do bate-papo na integra!  

Como é o trabalho de um Manager no e-sports? Quais as suas principais funções e de que forma você atua no dia a dia da organização?

Depende muito. O manager comum toma conta de uma line-up e você faz toda a logística, toda a rotina, treinos, principalmente quando é presencial, por que o manager que trabalha presencialmente é uma coisa, o que trabalha online, muda completamente. O online, basicamente, marca scrin, inscreve o time nos campeonatos e liga para o player caso ele não apareça na hora do treino e no campeonato, não tem muito mais que você possa fazer, não está no seu alcance outras coisas.

Quando você trabalha presencialmente com os jogadores, você tem toda uma questão de criar uma rotina. Um time não funciona onde um jogador dorme às seis da manhã e acorda às quatro da tarde, enquanto os outros dormem meia noite e acordam às oito. Por que tem toda a questão de pico de energia e na teoria a galera precisa estar bem no mesmo horário, que é o horário dos treinos, o horário dos campeonatos, toda essa questão que é muito difícil. São cinco pessoas diferentes que tem sua rotina e a dificuldade é colocar todo mundo no mesmo meio. Aqui na No Ping, a gente começa oficialmente a partir do almoço, já almoça todo mundo junto e depois começa a nossa rotina. Quem gosta de acordar mais cedo, beleza, mas meio dia e meia a gente começa.

Mas então, tem a questão da logística mais as questões do online. Eu, particularmente, como eu jogo Dota 2 também, eu acompanho, sempre assisto todos os jogos, gosto de dar palpite porque eu entendo do jogo, e isso são coisas extra manager, já que manager cuida mais da parte geral e não do in-game. No in-game já é uma parte do coach. Ah! E também resolver BO, sempre aparece BO, são cinco pessoas e acontecem problemas de relacionamento, comunicação. Além de ser uma ponte entre a empresa e os jogadores.

Foto: Instagram Leonardo Manulli

Então você também faz o trabalho de coach?

Mais ou menos, eu não gosto de passar da linha também. Eu sei qual é a minha função, se os caras me pediam opinião, eu sempre dava. No caso dos peruanos, os caras sempre me consultavam, eles sabiam que era uma sexta pessoa que entende do jogo, que está ali sempre, sempre acompanhando, e que sabia como eles jogavam, como os adversários jogavam e eles perguntavam, aí eu dava minha opinião, mas se eles não perguntassem, eu também não falava, por que não era minha função ser coach.

Como foi a montagem desse time que ganhou o último DPC Sul-Americano e quase chegou ao The International?

Não foi do dia para o outro que eu adquiri esse time. Aqui no Brasil, inclusive até hoje, o maior problema que tem no SA é a questão do offlaner que é uma posição que não tem. No mundo inteiro é problemático e no SA não é diferente. Eu te digo com propriedade que nós temos 2 offlaners bons no SA, que são Lelis e Whisper, que são realmente bons. Tem alguns outros que são bons, mas nem de perto tem o mesmo nível.

E eu lembro, que na época, eu estava acostumado a montar times apenas com brasileiro e conversando com o Arms, que é um amigo meu pessoal, player, ele comentou “por que você não fala com o Oscar, da Omega? Ele fala português muito bem” e o Oscar é um offlaner decente. Entre as opções brasileiras ele era muito melhor pra mim, o Tavo já tinha time, o GRD já tinha time, o Lelis era internacional, eu não tinha opção.

Eu fui conversar com o Oscar, mandei mensagem em português e ele me respondeu em inglês. Ele disse que estava safe com o time dele e que iria ficar por lá mesmo. Aí durante a pandemia eu deixei quieto a questão do time, não estava tendo muito campeonato, não estava tendo nada e eu fiquei à espera do DPC. Quando começou a chegar perto do DPC, a gente não iria ter time, a gente não tinha nada, nosso antigo time tinha fechado com a SG e estávamos sem opção.

Foi quando o Oscar veio falar comigo, que eles iriam disputar a qualificatória para jogar a primeira divisão do DPC, que eles jogavam na Omega, que não era uma organização, e eles queriam um apoio, eles queriam fazer um bootcamp, fazer uma coisa legal, porque eles viam potencial no time. Eu pedi para acompanhar mais o treino deles, entender o time e eles toparam. Comecei a prestar atenção na line-up e vi que era um baita time promissor.

Na qualificatória do DPC, eles ficaram 7-0, ganharam de todo mundo e eu pensei “são eles”.  Comentei com meu chefe, ele gosta muito de Dota, apesar dele não jogar bem, ele é um 2k, mas ele gosta muito do jogo e topou. Eram três peruanos e dois bolivianos, contratamos a line up.

De que forma o impacto da chegada do hFN na equipe alterou o rumo da equipe para o segundo DPC? Quando foi visto que a mudança da posição 1 era necessária para que a equipe atingisse a colocação que atingiu?

O time não estava desempenhando bem, a line up veio com um manager e eu era o head manager, mas eu vi que o cara não estava desempenhando um bom papel e eu comecei a ajudar. O time não estava treinando, não tava tendo uma rotina. Chegou um certo momento que o rapaz tava sendo completamente desnecessário e um dos meninos tendo um desempenho muito ruim, tava meio doente, não se adaptou bem ao Brasil, foi muita coisa junto. Conversamos entre a gente e ele achou melhor voltar, ficou como sexto player, voltou pra casa junto com o outro manager.

Eu optei por chamar o hFN, na época até teve uma dúvida entre os jogadores se chamavam o Mandy, por ser mais conhecido no Peru, e eu disse que preferia o hFN, levantei meus pontos e os meninos resolveram testar e deu muito certo. A gente tava muito mal no DPC e quando ele chegou quase classificamos.  

Com o time rendendo dentro do esperado, compramos a ideia de fazer um bootcamp igual os caras queriam, dentro de uma game house, um quarto pra cada um, com conforto para eles. E não deu outra, pegamos firme nos treinos e o time despontou.

Você trabalhou com jogadores brasileiros e a última line-up da No-Ping foi composta por jogadores peruanos. Qual a maior diferença entre os players peruanos e brasileiros?  

O profissionalismo por conta da cultura deles, lá o Dota é muito maior do que é aqui. No Brasil a gente tem muitos jogos, CS, Rainbow Six, League of Legends, Free Fire e lá o Dota é o jogo. Os caras saíram do Peru, da Bolívia pra vir pra cá, eles vieram para trabalhar.

Enquanto para um time brasileiro é difícil marcar dois screams no dia, os caras queriam scrimar três vezes no dia, eles estavam aqui com um objetivo, não era bagunça. Eles se cobravam muito também. O Matthew falava para o Dark Mago que não adiantava ele jogar 15 rankeds por dia se não abrisse replay, você tem que estudar o jogo. Eles se cobravam muito entre si, mas de maneira saudável.                                   

Durante esse último DPC, a No-Ping pareceu perder o controle durante as finais do DPC e depois se recuperou vencendo a BC no tiebreak. Como foi lidar com aquele problema e qual foi a conversa para que os players se acalmassem e voltassem rumo a vitória?     

Foi um problemão, cara. O Pandaboo não se sentiu bem no meio da partida. Era uma partida importante, mas ao mesmo tempo não era tão importante. A gente já estava classificado para Major, só que era um adversário que significa muito, pra todo mundo no SA,significa muito porque a Beastcoast é um time… Como posso dizer…

A galera que leva o jogo a sério, se sente um pouco desrespeitada, sabe? Eles são um time que não treinam como os outros. O que parece é que eles se sentem superiores “a gente só joga ranked e chega campeonato a gente joga e ganha” e os caras ganham. Aí chega no TI, eles vão e ficam em oitavo, aí os caras jogam e ganham. E você está lá se matando de treinar para no final os caras ganharem. É diferente, parece que os caras estão sendo arrogantes e eles continuam vencendo, sempre jogar contra a Beastcoast é muito importante. Eles não treinam contra time do SA, quando treinam é contra gringo, americano e tudo mais. Dá um a mais pra ganhar deles.

É uma partida importante sempre, valendo alguma coisa ou não. Aí o Panda se sentiu pressionado, eu lembro que foi uma team fight perto do roshan, ele errou umas spells, um erro de mecânica que pode acontecer num jogo tenso. E no Dota tem a opção de colocar bind no teclado e ele apertou uma bind de quitar do jogo, levantou e saiu chorando, foi pro banheiro chorar. Ninguém entendeu nada. O pessoal ficou falando no jogo que iria voltar e o Matthew disse que não iria voltar, que ele tinha quitado. Todo mundo ficou sem acreditar, pois, tinha muito jogo ainda, era só uma team fight que a gente tinha perdido.

Eu fui lá conversar com ele, precisei de uns dez minutos para entrar lá e conversar com ele, o Panda não estava nem me respondendo, ele falou que ficou muito nervoso, chorava e foi claramente uma crise de ansiedade. Ele é jogador muito novo, estar no Brasil foi a primeira vez que ele viajou para jogar e ele sentiu a responsabilidade disso. Ele tava contra os maiores adversários e era um jogo importante.

Na minha cabeça só passava: “a gente vai perder aqui agora e depois vai ter um tie break contra a própria Beastcoast pelo primeiro lugar. Eu conversei muito com ele, conversei com a administração do torneio, eles me deram 30 minutos a mais, tivemos 1h de break e nesse tempo consegui trazer ele de volta para a sala, o time inteiro falou com ele, ele estava se sentindo muito mal, “todo mundo me odeia”, mas todo mundo abraçou ele e disse que tava tudo bem, que entendia e ele disse que dava pra jogar. Jogamos o Tie Break e duas vitórias de 20 minutos.

Teve um jogo também que o hFN chamou GG…                                                         

Essa foi a primeira partida. Muita gente pensou que ele só quitou, mas na verdade esse jogo já estava perdido. Entre a gente, nós conversamos e falamos que o jogo tinha acabado, e aí ele quitou. Ele faz isso. Mas teve um consenso que não dava mais. Pode ter parecido que ele estava estressado, mas não, estava todo mundo de boa.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

Foto: Instagram Leonardo Manulli

A No-Ping entrou como grande favorita para a eliminatória sul-americana, a org caiu pra lower bracket na primeira rodada e depois foi eliminada. Como foi lidar com essa situação e por que novamente aconteceu a troca do position 1 do time?

Isso foi reflexo da Major. A gente ficou em primeiro no DPC e fomos para a Major e lá nós não tivemos um desempenho tão bom. A gente perdeu pra Quincy Crew, num jogo que foi por muito pouco, o próprio Lelis me disse que achava que eles iriam perder, e depois pra Evil Genesis.

Enfrentamos dois times do NA que eram parceiros de scrins continuos, dois adversários que nos conheciam. Pode até parecer que eu estou chorando, mas nosso win rate nos treinos foi muito alto, mais de 70%, a gente ficou muito confiante. Eu lembro de conversar com hFN sobre isso e ele me disse “é a primeira vez que eu vou para um evento e eu me vejo sendo campeão, com esse time eu me sinto muito confiante e acho que dá pra ganhar tudo” e quando a gente perdeu e foi eliminado ele se sentiu arrasado.

Um dos times que a gente mais treinou foi a Team Spirit, que é a atual campeã do TI e tivemos um win rate bem positivo.

A gente voltou da Europa, mesmo sem ter tido uma boa atuação na Major, muito confiantes. O time estava acabando com os scrins, fomos eliminados, mas fomos eliminados jogando bem, perdemos por quinto lugar e pro vice-campeão.

Deu uma confiança nos caras e quando eles chegaram aqui eles acharam que não precisavam se dedicar mais igual antes, o time pensava que as outras equipes do SA não eram páreas pra eles e que eles estariam mais ensinado as outras equipes do que qualquer outra coisa. Na época, eu lembro que eu era meio contra isso e que o time deveria treinar um pouco para jogar e o time optou por não.

A qualificatória do TI são só dois dias, é muito rápido, então estar bem no campeonato, no dia, é muito importante. Mas eu levo essa questão de a gente ter sido arrogante e não ter levado a sério, era o campeonato mais importante do ano.

Eu fiquei muito tempo me sentindo culpado por isso por que eu sempre via, eu via as coisas acontecendo e na minha cabeça estavam erradas, mas eu, até por um pouco de medo de retaliação dos jogadores, não procurava reclamar, o time tava em lua de mel, estávamos muito bem e todo mundo nos colocava como favorito e a gente tinha Dota pra isso. Eu me sentia mal de cobrar mais dos caras, porque a gente tava numa rotina muito punk de treino.

Não fomos nem 60% da No Ping do DPC, o time pegava o herói independente do draft do adversário e fazia o próprio jogo, ninguém conseguia lidar com isso, os caras podiam ter o melhor counter do heróis, mas isso não importava, a equipe ia lá e ganhava o jogo em 20 minutos.

Se decepcionou os fãs, quem torce, imagina a gente, sabe? Eu me senti culpado por isso uns dois meses, fiquei muito triste pra falar a verdade, a ponto de chegar a pensar em até parar, eu deveria ter sido chato.

Na minha opinião foi mais a parte da nossa arrogância, mas lógico, os outros times não foram pra Major e já estavam aqui se dedicando para conseguir dar o melhor na qualificatória.

A própria Unknown, que se reformulou, trouxeram uns caras novos e chegaram até a final…

Foram… O Pakazz (Angel) é um monstro. Esse cara é um monstro. Inclusive, eu até falo isso, aquela qualificatória no geral, a gente jogou muito mal, mas tem uma partida específica, que a gente perderia no auge igual a gente perdeu não jogando bem, foi uma partida que ele foi de Morphling, ele ficou 28/0. Esse cara é um animal, um monstro, uma besta enjaulada. Inclusive, ele estava carregando a Unknown sozinho e contra SG, eles ganharam o game 1, com ele destruindo, só que o time não ajuda muito e a SG conseguiu se sobressair e levar a classificação, mas aquele cara é muito bom e nisso a gente abriu o olho pra ele. Ele é novo, ele é diferente, dedicado, o cara tem três contas com 10mil de MMR.

Depois que não conseguimos a classificamos, todo mundo ficou frustrado e ficou uma semana com clima de luto aqui. Para você ter ideia, a gente já tinha planos para pós classificação, não passava essa possibilidade na nossa cabeça, ninguém tava de passagem comprada pra voltar pra casa, o plano era cada um voltar pra casa, encontrar e ir pro TI juntos. Nós não tínhamos isso, pois a gente tava preparado pra comemorar a classificação, tinha carne de churrasco e cerveja na geladeira.

Acabou aquilo eu fui ver a passagem pra comprar, ninguém queria ficar aqui, todo mundo queria ir embora, clima horrível. Depois de uns três dias o hFN foi embora, mas os peruanos ficaram mais uns cinco dias aqui, cada um na sua.

E por que o hFN não voltou mais?

Então, passou esse tempo, eles pediram umas duas semanas pra pensar no que iria ser feito. Aí eles chegaram pra mim e falaram que iriam voltar a treinar e mais, só que ele não queriam jogar mais com o hFN. Eu perguntei porque e eles disseram que a questão da arrogância partiu mais dele e eles falaram que não se sentiam mais confortáveis jogando com ele.

Internamente, dentro da empresa, foi bem difícil configurar isso, a gente não queria que houvesse essa quebra do time só que eles falaram “o contrato vai acabar logo e se não for assim, a gente não vai querer renovar”. Foi quando começamos a avaliar as opções, e eles estavam pensando no Lumiére e no Pakazz, e eu falei “se for pra trocar, bora colocar o Pakazz, ele é um monstro”. O Matthew convidou e ele aceitou na mesma hora, ele tava na Unknown na época e disse que saía de lá na mesma hora. Os meninos continuaram jogando pela gente do Peru, o Pakazz jogando da sua casa e ficamos nos campeonatos online.

Foto: Instagram No Ping

Pandaboo e hFN não tinham uma boa relação?

Cara…. Não, pelo contrário, eles se davam muito bem até. O Panda tem um estilo de jogo muito dedicado ao posição 1, ele faz tudo o que o cara precisa, tudo sem exceção, ele morre 20 vezes pro seu carry sair bem, ele tem uma bota pra comprar dez salves, então ele joga 100% direcionado ao carry e isso é tudo que o hFN quer. Eles se davam muito bem em relação a isso, a questão é que depois daquela situação da crise de ansiedade do Panda e o hFN é um cara que estressa um pouco, ele meio que pilhava na onda do Panda e direto ele falava “putz, eu tenho que parar de fazer isso”, mas no calor do momento acabava rolando e ele dava umas estressadas nele. Mas no geral eles se davam muito bem, o hFN tinha muito carinho por ele, o Pandinha é muito fofinho e todo mundo ama ele.

Qual momento foi mais difícil. A eliminação da No-Ping da eliminatória ou a derrota para a QCY no Major? 

A perda da eliminatória. Passamos bem perto, se a gente ganhasse da Quincy Crew a íamos para o TI, a gente iria atingir os pontos necessários. A derrota pra Quincy Crew foi uma missplay de jogo que acontece, no calor do momento, um momento tenso, contra uma grande equipe, numa arena daquelas, na minha opinião a arena do Major tava mais bonita que o TI.

Mas na qualificatória do TI, primeiro que tinha toda a questão da pressão que colocaram na gente, mas era uma pressão de boa porque a gente era uma equipe muito forte, só que na minha cabeça sempre ficou a sensação que perdemos para nós mesmos.

Foto: Twitter da No Ping

Como foi a saída da line up antiga da No Ping da organização?        

A gente tinha spoilers de quando seria o DPC, foi anunciado agora, só que era um spoilers forte. Nós não tínhamos a certeza absoluta se o DPC seria logo depois do TI e tudo mais, mas continuamos jogando e treinando junto e mantendo contato com os meninos.

Quando saiu oficialmente o DPC, faltando um mês e meio, eles chegaram pra gente e falaram “nosso contrato acabou, a gente gosta muito de vocês, foi um ano incrível, tudo que a gente precisou vocês fizeram pela gente, zero reclamações, mas a gente quer uma game house no Peru se for continuar com o time”. Cada um apresentou um motivo, só o Matthew disse que continuaria no Brasil, mas de resto todos falaram que queriam voltar.

E nós concordamos, falei que iria conversar com o chef e ver quais seriam as possibilidades. Na minha cabeça só passava uma questão: “eu não vou deixar essa line up, sair, é o time mais forte”. Na minha cabeça era isso, talvez chegue o DPC e talvez não seja, mas na minha cabeça era o time mais forte.

Fui procurar saber como seria e pelo prazo, um mês e meio, para construir um bootcamp no Peru… E eu não conhecia nada lá, nunca tinha ido pra lá. Meu chefe falou que dava e perguntou se eu tinha disponibilidade de ir pra lá resolver e essas coisas sou eu que resolvo. Eu encontrei o aluguel daqui do Guarujá, o apartamento antigo na paulista também foi eu que encontrei, é o trabalho de Manager, o que for preciso será feito.

Eu falei que resolvia, mas aí começamos a pensar bem, comecei a conversar com outros managers do Peru, e vi que não seria tão simples, em um mês e meio nós não iríamos conseguir fazer isso. Se fosse no Brasil, dava pra fazer, mas seria difícil, imagina no Peru, um país onde a gente não conhece nada. A gente nunca foi lá, podiam nos passar a perna, correr o risco de gastar muito dinheiro, fazer uma parada, no final nem dar certo e perder o time mesmo assim. Se os caras querem ir embora? Tchau.

Como eles já imaginavam que a gente iria fazer isso, eles já estavam conversando com outras organizações, isso sem informar, uma parada que já não foi tão legal e aí, depois de um tempo, eles me convidaram para ir junto num contrato de 1 ano, com um time do Peru também e que não é a Thunder, time que eles estão agora, disseram que gostaram de trabalhar comigo, a questão do time se manter junto…

E acabou pesando pra mim a estabilidade, já estou na No Ping tem muito tempo, eu sou amigo do dono, e não queria correr o risco de entrar numa parada nova que talvez me agregasse muito, mas correr o risco, no final do contrato e perder tudo, era uma aposta muito alta, se eu for e o time não der certo vou ter que começar do zero e eu não queria passar por isso. Eu nem cogitei muito.

Eu fiquei muito amigo dos meninos, muito mesmo, até hoje a gente conversa muito, principalmente o Oscar e o Panda, sou muito amigo deles, eu falei que iria continuar na No Ping e começar um time do zero aqui. Na minha cabeça batia que seria muito difícil montar um time que bata esse time, mas basicamente foi isso, eles resolveram ficar lá por estar no Peru.